• Rafael Assumpção

O enigma do puerpério




Esta semana temos mais um artigo preparado com muito carinho pela Psicóloga Perinatal e Parental Jéssica Castro, fundadora do Recanto Parental no Instagram (@recantoparental).

Dessa vez, ela aborda as diferenças entre expectativas e realidade do puerpério, e entrevistou algumas das mamães que fizeram seus ensaios aqui com a gente no Sky Light Studio. Seus nomes foram abreviados para manter sua privacidade, mas seus relatos são muitos importantes para enriquecer o debate e ajudar a conscientização das mulheres.


Confiram a seguir o que ela preparou pra você.




Puerpério, o famoso pós-parto, tão esperado, tão idealizado, tão desejado e quando finalmente chega, às vezes, uma grande decepção.

Mães super-heroínas, que estão sempre sorrindo nas fotos; que estão plenamente belas, tranquilas, calmas e felizes, felizes, felizes no pós-parto; que seu instinto materno desabrochou num estalar de dedos, assim como o sucesso instantâneo e inato da amamentação; que o amor e o prazer de maternar persistem todo o tempo; que dão conta de tudo e sabem de tudo; que conseguem conciliar perfeitamente o autocuidado com os cuidados com o bebê e ainda alimentar a autoestima nas horas vagas, uma maternidade sem vestígios de dificuldades e/ou desprazeres, uma maternidade perfeita e irreal.

Toda essa romantização da maternidade, que é uma verdadeira cisão coletiva com a realidade, leva ao despreparo e crenças ilusórias em relação ao puerpério, aí quando a mulher chega lá, sente-se desapontada, afinal não era bem isso que se estava esperando, e quando se dá conta já está imersa num poço de culpa e frustração, por não ser perfeita como aquela outra mamãe da TV, do Instagram e do outro lado da rua.

Para desmistificarmos o puerpério e todo esse maternar ideal, algumas mamães toparam compartilhar com a gente o que elas encontraram de fato no pós-parto e quais os maiores desafios que atravessaram essa fase da vida delas.

De acordo com os relatos, os maiores desafios no período do pós-parto são:

  • relativos às horas de amamentação: “amamentação, foi bem dolorido até “entrarmos em sintonia“ (M.); “aprender todo esse universo novo de amamentação” (A. M);

  • a nova rotina e compreender, atender e satisfazer absolutamente às necessidades do bebê: “a nova rotina, o bebê necessita da minha atenção o tempo todo” (M.); “entender a nova rotina e os desejos e necessidades do A. [...] sono, troca de fralda, banho, rotina do bebe e cólicas ” (A. M.); “acho que o maior desafio que enfrento todos os dias é aceitar que nos primeiros 3 meses o bebê não está completamente formado, (muitos gases, cólicas e constipações), que passa pela exterogestação e que isso causa sofrimento nele e em mim. Ainda que tenha colo o suficiente, nos momentos de crise, nem isso é o suficiente” (N.);

  • limitações pós-operatórias da cirurgia cesariana: “ainda tinha algumas limitações do parto como agilidade para levantar, dores e um certo desconforto para dormir” (A. M.);

  • esgotamento físico e emocional: “as vezes me sinto mais cansada ainda por ter tido uma noite “mal” dormida” (M.); “saber lidar com isso fisicamente e emocionalmente é um desafio” (N.); “sinto que não tenho tempo para nada, tenho que aproveitar as brechinhas para cuidar de mim mesma, minha prioridade agora é os dois” (D.);

  • dificuldades de lidar também com as demandas do filho mais velho, diante da chegada do novo membro na família: “pra mim um dos maiores desafios do pós parto foi lidar com meu outro filho que tem 4 anos” (D.)”


Segundo elas, o puerpério definido em uma palavra é: Aprendizado (A.M.). Dedicação (D.). Transformação (M.). Confuso (N.).

Fala-se muito sobre as delícias de ser mãe, mas pouco ou nada se fala do lado sombrio que perpassa o maternar. É fato que as expectativas em relação a maternidade vão existir, porém quanto mais afastadas da realidade elas forem, maiores as chances de se frustrar com ela. A face encoberta do pós-parto, que é caracterizado pelas dificuldades, desafios e desprazeres do puerpério torna este período um verdadeiro enigma, principalmente, para aquelas que vivem e acreditam num pós-parto utópico.

A melhor forma de desvendar o mistério do puerpério é falando sobre todas as facetas dele, se preparando para enfrentá-lo e validando as particularidades do seu próprio puerpério, entender que ele e você são únicos, que a maternidade é singular e não linear.

Precisamos falar e acolher também os descontentamentos que circundam o exercício da maternidade, entendê-la como um processo de construção, transformação e muito aprendizado. A maternidade é uma eterna escola, em que ora você é a professora, ora você é a aluna.

Jéssica Castro

Psicóloga Perinatal e Parental

CRP 06/157844





Como você pôde observar no artigo acima, é preciso muito equilíbrio e orientação para aceitar que não existe puerpério perfeito e nem um manual de instruções com todas as respostas. Devemos aceitar nossas limitações e enfrentar todos os desafios com muita resiliência.


Se você gostou desse tema, ou se você tem interesse em saber mais sobre os desafios da maternidade e do autocuidado psicológico durante e após a gravidez, eu te convido a visitar o Recanto Parental no Instagram.

A Jéssica está sempre preparando conteúdo de muita qualidade para ajudar as mamães a aproveitar ao máximo essa conquista que é tornar-se mãe.

Tenho certeza que você vai encontrar muita ajuda por lá.


Aproveite também e navegue pelos artigos aqui no nosso Blog, estamos sempre produzindo conteúdo para ajudar as mamães.


Te vejo no nosso próximo artigo na semana que vem.

Um grande abraço!