• Rafael Assumpção

Autoestima na gravidez: você merece se sentir melhor e mais confiante

Atualizado: 28 de Abr de 2020



Qual mulher não quer olhar todos os dias para o espelho e se sentir feliz e satisfeita com o que vê no reflexo?


A autoestima é um fator essencial para a qualidade de vida das mulheres, e no período da gravidez torna-se ainda mais importante.


Para o artigo dessa semana, convidei a Psicóloga Perinatal e Parental Jéssica Castro, que acompanha mães, pais e famílias no período da gestação, parto e pós-parto, fundadora da página “Recanto Parental” no Instagram (@recantoparental), para explicar às futuras mamães sobre a importância da autoestima na gravidez e como podemos usar a fotografia como uma ferramenta para melhorar a autopercepção que as mulheres tem de si mesmas.


Confira a seguir o que preparamos pra você.





O que é autoestima?


A autoestima é a forma como a pessoa se vê e se considera, e isso pode acontecer de modo otimista ou pessimista. Em outras palavras, a autoestima pode ser entendida como sendo uma avaliação positiva ou negativa que a pessoa faz de si mesma e que desempenha uma função essencial no processo de construção da identidade.


Mas afinal como se forma a autoestima?


A autoestima vai sendo construída ao longo da vida, do processo de desenvolvimento e amadurecimento pessoal, e sua base se dá a partir das relações estabelecidas com outras pessoas desde o nascimento, principalmente com as figuras parentais (pai, mãe ou quem quer que exerça essa função).

Nesse sentido, pode-se dizer que a autoestima se forma por meio da identificação com o mundo existente fora de si mesma.

Sendo assim, a autoestima está constantemente em construção, podendo sofrer transformações e oscilações de acordo com as experiências individuais, influenciando a forma como você se vê e se relaciona com o mundo e com as pessoas.





Autoestima na gestação


Quando tratamos da autoestima feminina no período gestacional, existe o risco das gestantes sofrerem um declínio na sua autoestima, devido às inúmeras mudanças que ocorrem durante esta fase delicada. Alterações essas que afetam o campo emocional, psíquico, social, familiar, socioeconômico e corporal. Sendo que este último impacta diretamente a aparência da mulher, podendo gerar desconforto e descontentamento com a condição física, influenciando negativamente a autoestima.

Tudo isso somado às ansiedades, angústias, inseguranças, medos, sentimentos ambivalentes, preocupações e estresses que também são característicos deste período.

Logo, eventualmente, pode ocorrer uma significativa diminuição na disposição da gestante em se arrumar, cuidar da sua aparência, fazer coisas que gosta, sentir prazer, valorizar a mulher que é, demarcando uma baixa satisfação quanto a imagem corporal. Essa espiral negativa tende a progredir conforme avanço da gestação, se estendendo, inclusive, para o período do pós-parto.

Por isso é importante dar a devida atenção aos aspectos emocionais e psicológicos vivenciados pela mulher no período gestacional, visto que suas experiencias poderão afetar não só sua autoestima, mas consequentemente o vínculo mãe-bebê.

Como já demonstrado, o nível de autoestima da mãe é essencial para a constituição do apego materno-infantil durante a gestação e também após o nascimento.

Assim, quanto melhor o estado emocional e psíquico da mãe, maiores as chances de obter êxito no estabelecimento de vínculo com o filho, resultando num desenvolvimento mais favorável do bebê.

Uma elevada autoestima da mãe tem efeito protetivo para o desenvolvimento infantil e contribui para uma redução significativa da depressão durante a gravidez e no pós-parto.

Lamentavelmente, ainda é dada quase que exclusiva atenção ao modelo biomédico, se limitando na assistência às questões fisiológicas da gestação, parto e pós-parto, com foco nos cuidados com o bebê, em detrimento da saúde emocional e as singularidades da mãe como ser individual, o que pode vir a contribuir para uma baixa autoestima feminina.

A pesquisadora Simone Santos declarou num estudo que “trabalhar a mulher, a sua singularidade, a autoestima e a compreensão de que cada uma é única, pode contribuir com maior aceitação, melhor relação da gestante com a família e o bebê”

Portanto, tendo em vista a tendência do impacto das mudanças de modo desfavorável no indivíduo, como preservar a autoestima na gestação, já que é um período demarcado por inúmeras transformações que repercutem tão significativamente no íntimo da mulher?

Não é tarefa simples e fácil, realmente é um desafio, mas é possível. Há meios de promover autoaceitação, autocuidado, amor próprio, valorização de si mesmo, como mulher e como mãe, sem, necessariamente, percorrer este caminho sozinha. Para isto é importante ter uma rede de apoio de familiares e amigos, podendo ainda desfrutar do suporte de profissionais qualificados que possam por meio dos seus serviços encorajar e estimular ascensão da autoestima, bem-estar e saúde emocional e psicológica.

O acompanhamento psicológico perinatal, psicoterapia, ou pré-natal psicológico, mediado por um psicólogo qualificado na área, pode auxiliar efetivamente e significativamente no manejo das dificuldades e desafios do ciclo gravídico-puerperal (gestação, parto e pós-parto) e favorecer a preservação da autoestima feminina, tornando a vivência deste momento único mais serena.

Além disso, quando o assunto é autoestima, há um outro recurso valioso que pode influenciá-la positivamente, e este meio é a fotografia.

Um projeto de extensão feito na UFVJM em 2019, chamado “Gestantes em foco: o resgate da autoestima”, teve como finalidade promover um trabalho multidisciplinar, integrando a fotografia e o serviço de pré-natal, como meio de promoção da autoestima na gestação.

Como resultado do projeto, as gestantes passaram a compreender a gestação com novos olhares, sentindo-se mais confiantes, mais bonitas e mais próximas do filho.

Por fim, os pesquisadores concluíram que o preparo e a participação em uma sessão fotográfica no período gestacional somada ao pré-natal, potencializa o cuidado e valorização da mulher-mãe, fortalecendo o vínculo com o bebê e enaltecendo sua beleza única durante a gravidez.





A fotografia como ferramenta para melhorar a autoestima


Mas agora deixemos momentaneamente de lado as pesquisas acadêmicas, e vamos falar um pouco de experiências da vida real, de impactos significativos na vida das gestantes que passam aqui pelo Sky Light Studio.

Já se somam mais de 200 gestantes fotografadas, cada uma delas uma mulher única, com personalidade e desejos únicos, e para as quais também construímos lembranças únicas.

Como todos os nossos ensaios são planejados individualmente, eu tenho a oportunidade de conversar e me aproximar de cada gestante, buscando conhecer seus gostos e preferências, avaliar sua percepção estética e entender seus receios e preocupações, afinal estou lidando com mulheres normais, não com modelos acostumadas a serem fotografadas.

Muitas dessas gestantes, logo no primeiro contato já demonstram uma grande insegurança em relação ao próprio corpo e à sua autoimagem. Seja por uma rejeição às mudanças corporais, seja por conta da sobrecarga de tarefas e responsabilidades que recai sobre elas durante essa época (já que, além de profissionais, esposas e mulheres, elas agora também acumulam a função de mãe), ou seja por todos os medos e preocupações que aumentam os níveis de stress.

Ao detectar esse tipo de insegurança, eu logo me aprofundo na conversa para tentar entender com maior precisão o que aflige aquela mulher, e principalmente, para ajudá-la a repensar as mudanças no seu corpo e na sua vida de forma mais positiva.

A sessão fotográfica é uma oportunidade de se reconectar consigo mesma, de fazer uma pausa da rotina tão corrida e prestar atenção em você mesma, de poder se enxergar pelos olhos de outra pessoa e descobrir uma nova beleza que talvez ela nem conhecesse!

Já perdi a conta de quantas vezes, depois dos ensaios, eu recebo lindas mensagens das gestantes, cheias de emoção e gratidão, onde elas me dizem o quanto aquela experiência de fazer o ensaio foi impactante e significativa pra elas, o quanto elas se sentiam diferentes depois de sair do estúdio.





Esse tipo de mensagem é a coisa mais satisfatória que eu poderia receber na minha profissão. É o que me faz sentir o fotógrafo mais bem-sucedido do mundo, porque me dá a certeza de ter feito a diferença na vida dessas pessoas.

Por isso, se você, assim como tantas outras mulheres, compartilha desses receios e inseguranças, não desista de si mesma! Não se prive de experiências que poderão marcar a sua história de vida.

Existem profissionais que podem te orientar e te ajudar a superar todas essas sensações negativas e atingir uma qualidade de vida muito maior, para que você possa aproveitar sua gravidez de forma feliz e plena.

Por hoje é só, mas espero que tenha gostado das informações que trouxemos pra você essa semana, e te convido a conhecer o perfil da Jéssica no Instagram (clique aqui). Com certeza você vai encontrar um conteúdo de qualidade e muito interessante.


E se quiser ser a primeira a receber mais conteúdo de qualidade como esse, é só se inscrever no nosso Boletim Sky Light, que é o jornalzinho do estúdio que enviamos toda semana por e-mail pra nossa lista de contatos. A inscrição é gratuita!


CLIQUE AQUI PARA SE INSCREVER!

Até a próxima!

Beijos de luz


Autores:

Jéssica C. B. Castro (CRP 06/157844)

Rafael Assumpção




REFERÊNCIAS:

MAIA, Joviane Marcondelli Dias; WILLIAMS, Lucia Cavalcanti de Albuquerque. Fatores de risco e proteção ao desenvolvimento infantil: uma revisão da área. Temas Psicologia, Ribeirão Preto, v. 13, n. 2, 2005. Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2005000200002#Ia >. Acesso em: abril 2020.

DRAKE, E.E et al. Predictors of maternal responsiveness. J Nurs Scholarsh, [S.I.], v.39, n. 2, 2007. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17535311 >. Acesso em: abril 2020.

SANTOS, Simone de Paula et al. Gestante em foco: uma abordagem multidisciplinar de valorização da autoestima. Revista Vozes dos Vales, MG, v. VIII, n. 16, 2019. Disponível em: < http://site.ufvjm.edu.br/revistamultidisciplinar/files/2019/10/Liliane.pdf >. Acesso em: abril 2020.

SCHULTHEISZ, Thais Sisti de Vincenzo; APRILE, Maria Rita. Autoestima, conceitos correlatos e avaliação. Revista Equilíbrio Corporal e Saúde, [S.I.], v.5, n. 1, p. 36-48, 2013. Disponível em: < https://revista.pgsskroton.com/index.php/reces/article/view/22 >. Acesso em: abril 2020.

SILVA, Ricardo Azevedo da et al. Transtornos mentais comuns e autoestima na gestação: prevalência e fatores associados. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 26, n. 9, p. 1832-1838, 2010. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/csp/v26n9/16.pdf >. Acesso em: abril 2020.